quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Steve Jobs continuará me cobrando a busca pelos meus sonhos
“Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life. Don’t be trapped by dogma — which is living with the results of other people’s thinking. Don’t let the noise of others’ opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.”
Me lembro de um sonho que tive com Steve Jobs e ele simplesmente me perguntava o que eu mais queria fazer na vida. Após a minha resposta ele simplesmente me perguntou: "E por que você não faz?"
É engraçado isso. Quando alguma pessoa que me inspira morre, eu tenho mais vontade de continuar e quase consigo entender o que é esperança.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Há uma nova vida dentro da minha casa
Eu sempre adorei os cães. Gosto do olhar deles, dos súbitos ataques de alegria, da enorme empolgação que eles demonstram quando colocamos comida pra eles, do excesso de carência e até daquelas mordidinhas desesperadas dos filhotes nos dedos humanos (que acabei de aprender que devem ser evitadas para que os cães não fiquem agressivos).
Como dizia George Carlin, “a vida é uma sucessão de cachorros”, e eu realmente posso dividir a minha vida em ‘eras’ de acordo com o cachorro que eu tinha na época. Lembro do nome e de características estranhas de todos os meus cachorros, que não tinham raça definida, mas sempre estavam lá com as duas patinhas sobre o degrau da cozinha da casa da minha mãe, esperando alguma coisa (comida).
Semana passada, quando o meu tão sonhado filhotinho de pug chegou aqui em casa eu comecei a entender melhor o que me encanta tanto nos cães. No início eu demorei a acreditar que ele realmente existia, depois das incontáveis horas que eu passava procurando fotos de pug na internet e cobiçando os pugs alheios passeando com seus donos nos fins de tarde. Depois eu comecei a prestar mais atenção no comportamento dele, nos hábitos sendo adquiridos, em pequenos detalhes, como o barulhinho que ele faz quando respira ou a posição que ele sempre escolhe para dormir.
Eu olho pra ele e parece tudo tão simples. Ele é tão lindo e amado e sua rotina se resume a coisas necessárias e básicas: comer, beber água, usar seu tapete higiênico como banheiro, brincar, chorar um pouquinho por carinho, se movimentar até cansar e depois entrar em sua casinha aconchegante para dormir. A vida dele é tão repetitiva e simples e quando eu o observo eu só consigo enxergar felicidade, desde o olho enorme e brilhante até o rabinho enroladinho que está sempre se mexendo. Ao lado dele eu tenho vergonha da minha insatisfação com a vida, da minha preguiça, da minha insegurança, das minhas crises de não querer sair da cama, dos meus ataques de odiar a tudo e a todos. Ele nunca terá uma infância complicada, uma adolescência sofrida, rompimentos amorosos, falta de sucesso profissional ou medo de ser rejeitado. Ele sempre será querido e terá essa rotina simples e quanto carinho quiser receber. Quando ele começa a pegar no sono deitado no meu colo tudo parece tão fácil e tranqüilo que eu quase tenho inveja. Na verdade, eu percebi que ele está me trazendo paz. Eu também durmo, acordo, faço minhas refeições e vou ao banheiro algumas vezes ao dia, “brinco”, recebo carinho, me canso e durmo de novo. E isso é tão simples. Eu preciso aprender com o meu cachorrinho que viver é simples e básico e que é possível ter esse brilho nos olhos e abanar o meu rabinho.
Há uma nova vida dentro da minha casa e, eu imagino que também haja uma nova vida dentro da minha vida.
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Para quem quiser ver mais fotos do Humbert Humbert, visitem:
http://humberthumbertthepug.tumblr.com~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Top Ipod: Raise The Knowledge – Gogol Bordello
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terça-feira, 21 de junho de 2011
A Segunda Chance de Narciso
Meu primeiro conto que, pelo convite do professor Wladyr Nader, foi postado no Escritablog. Vou ficar pensando por muitos dias na belíssima ilustração que fizeram . Espero que tenham paciência para ler:
A Segunda Chance de Narciso
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Top Ipod: Les Feuilles Mortes - Serge Gainsbourg
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A Segunda Chance de Narciso
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Top Ipod: Les Feuilles Mortes - Serge Gainsbourg
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terça-feira, 14 de junho de 2011
Autumn - Winter Blues
Dez para as seis de uma terça-feira de início de junho. Meu sistema respiratório pede clemência para o frio, mas ele não se importa e continua corroendo minhas narinas. Tudo no inverno é mais difícil e tento me consolar pensando que seria muito pior se eu morasse em Toronto. O peso dos agasalhos esconde minha ausência de vontade de estar lá fora, mas minha cama já não me quer: “só amanhã”, ela me diz. E eu a beijo na testa e afago o cobertor macio, que é mais bonito que qualquer coleção outono-inverno da semana de moda. No frio, até a imundície das calçadas é triste. Lembro-me de que o inverno ainda nem começou e decido que odeio também o outono. No elevador o vizinho me fala “e esse frio, hein?” e eu decido que odeio também o vizinho por ele ser tão óbvio. Pela manhã, até o farol verde que me dá passagem me irrita. Penso que ao menos o cheiro ruim de tudo fede menos no inverno, mas o ar é ácido e eu ainda não sei o que fazer para controlar a coriza que anula o meu olfato. Amaldiçoo o ônibus por ele não vir e agradeço ao relógio por ainda não estar atrasada. A moça bonita no ponto de ônibus está com as bochechas vermelhas por causa do vento gelado. Até a beleza é abominável no frio. O mendigo dorme na calçada ao lado de uma caixa onde antes houvera uma TV caríssima. O cobertor do mendigo é cinza e na caixa está escrito “infinita”. Todas as mães do mundo falam ao meu ouvido “está vendo como tem gente que sofre mais nessa vida que você?” e eu concordo, mas ignoro. No frio, ver a tristeza deitada ao lado da mentira faz mais sentido. Como uma TV pode ser infinita? O mendigo fica triste por ter apenas a caixa da TV infinita? Tenho inveja do mendigo porque ele não precisa ir trabalhar. Não sei se o inverno deixa o mendigo mais triste do que ele já é ou se eu estou refletindo a minha tristeza nele. Eu não quero chá, não quero sopa, não quero uma TV infinita. A tristeza repetitiva do frio é azul.
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Top Ipod: Siberie - Manu Chao
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terça-feira, 7 de junho de 2011
Fundindo chavões
Os pulmões inspiram e expiram senso comum
Os dedos regurgitam chavões
A boca já entediada estanca a hemorragia do óbvio
O eco do que sempre foi e eu nem sabia
Reverbera a vulgaridade das palavras já mornas,
A banalidade do que não se quer saber
E a bondade do que é acessível.
A vaga tentativa desigual esbarra no normal e se desespera
A frase feita é de todos e foi redundantemente feita por ninguém
O feijão com arroz quer ter um bife gourmet com fritas a seu lado
O trivial quer ser t r i v i a l e depois l a i v i r t
O clichê terá que ser assassinado
E o chavão exposto a ambíguos mil graus
será derretido e transformado em maldade.
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Top Ipod: Silly Love Songs - Paul McCartney (an obvious song)
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domingo, 5 de junho de 2011
Caça, Pesca e Colheita
Eu sou uma preguiçosa convicta. Calculo mentalmente a quantidade de esforço necessário para fazer algo e sempre consigo formas engenhosas de usar poucos movimentos ou ações para que aquilo aconteça. Comer verduras e frutas, para mim, é algo que demanda um esforço muito maior do que a minha filosofia de vida preguiçosa aceita. E não me entenda mal, eu adoro verduras e frutas, de verdade, mesmo eu não tendo uma aparência saudável e em forma.
Quando se mora na casa dos pais, a comida milagrosamente aparece na geladeira ou nas panelas. Então, um dia saímos de casa e percebemos que é preciso comprar comida e descobrimos que as geladeiras e as panelas não são instrumentos mágicos, mas que, na verdade, os pais vão ao supermercado e à feira comprar comida.
Eu me acostumei a ir ao supermercado. No início foi complicado acertar as quantidades de comida só para mim, mas hoje em dia consigo lidar bem com isso. Mesmo minha geladeira não estando no ranking das melhores geladeiras para uma garrafa de água viver (acho que isso só soou engraçado na minha cabeça, desculpa), existe comida quando eu preciso e acho que consigo me nutrir razoavelmente ingerindo os alimentos que estão lá.
O grande problema são as frutas e verduras. No supermercado eu compro aqueles vegetais murchos e feios e não tenho muita escolha. Quando minha mãe vem me visitar, noto que aparecem belíssimos exemplares de maçãs, laranjas, uvas, brócolis e mandioquinha na minha cozinha. Por curiosidade, perguntei pra ela onde ela conseguia esses vegetais tão incríveis. Então, ela me deu a resposta que eu temia: na feira.
Para vocês entenderem melhor, preciso explicar as diferenças entre as feiras de São Paulo e as feiras em Goiás. As feiras em Goiás são lugares em que vários feirantes expõem seus legumes e frutas separados em bancas. Os consumidores perguntam o preço, pagam, pegam o troco e recebem a mercadoria em sacolas e levam para suas casas. Em São Paulo acontece tudo isso, só que com UMA GRITARIA HISTÉRICA DESESPERADORA.
Lembro-me de quando eu era pequena e via as cenas desta novela e achava que aquilo era tudo coisa de televisão:
Quando me mudei pra São Paulo vi que isso era só uma amostra do que realmente acontece. Como eu não sou uma pessoa lá muito chegada a multidões e barulhos, já que mal consigo me concentrar em ambientes silenciosos, eu fiquei APAVORADA na primeira vez em que fui à feira aqui. Os feirantes gritam, galanteiam as mulheres, fazem piadinhas, conversam com o outro feirante que está a 10 metros da sua banca, cortam frutas com facas sujas e tocam os pedaços com suas mãos igualmente sujas e praticamente os enfiam na boca dos transeuntes “pra dar uma provadinha”. Imaginem agora minha cara assustada enquanto tudo isso acontece. Além do esforço sobre-humano de ter que sair e comprar comida, ir à feira me exigiria enfrentar todo esse desespero.
Hoje minha mãe me ligou e, em suas típicas recomendações maternas para eu me alimentar melhor e me cuidar e etc, me disse para aproveitar que eu acordei cedo e ir à feira comprar algumas verduras e frutas. Eu prontamente respondi:
− Mãe, pra mim, ir na feira é como se eu tivesse que caçar, pescar e colher meus alimentos numa selva perigosa e assustadora.
Uma das metas da minha vida é descobrir uma forma de lidar com a feira para conseguir comprar os belos vegetais que eu quero tanto ter na minha cozinha. Talvez seja ir à feira com fones de ouvido. Ou mais alguns anos me tratando com a psicóloga.
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Top Ipod - Give Me Strength - Eric Clapton
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
Minha Vida "Adulta"
Chego em casa cansada de ter fingido ser adulta e responsável durante todo o dia de trabalho e arranco meus óculos com raiva, jogo minha bolsa no chão, atiro um pé de sapato para cada lado, espalho meus livros, ligo o computador e passo uma hora inteira vendo coisas inúteis na internet. Ignoro minha louça suja, ignoro a lata de lixo que transborda restos da semana passada, ignoro que meus chinelos estão virados para baixo, ignoro que eu deveria comer algo saudável e também ignoro que devo dormir logo porque acordarei cedo demais no dia seguinte. Esqueço-me que não moro mais com meus pais e teria que cuidar da higiene e organização do meu lar, além do pagamento assíduo das minhas contas. Finjo que não me lembro que preciso de um salário melhor para juntar dinheiro e comprar alguma coisa grande e importante, como todas as pessoas maduras fazem. Lembro-me que gastei mais de um salário mínimo comprando sapatos plásticos com cheirinho de chiclete. Não me espanto por me sentir muito mais à vontade conversando com meus alunos adolescentes que quando falo sobre “futuro” com pessoas adultas. Eu não sei manter relações amigáveis com pessoas que me magoaram, sejam elas ex-namorados, ex-amigos, ex-colegas de trabalho, ex-familiares. É a minha escolha. O lixo transbordante cheira mal na minha casa, as contas atrasadas são minha responsabilidade, o cartão de crédito com o qual eu compro sapatos está em meu nome, o doce que eu como no jantar vai para os meus quadris. Se eu escolho não mais conviver com pessoas que me fazem mal, eu tenho os meus motivos e eles são tão meus quanto o caos dos lençóis da minha cama. A minha imaturidade e teimosia são parte de mim e eu não preciso abominá-las. Eu tenho o direito de escolher não ser “adulta” quando faço todas as coisas insensatas e imaturas. Eu respeito a minha desordem exterior e interior e prefiro estar perto de quem quer entender e respeitar isso. Eu virei adulta principalmente para ter o direito de não ser “adulta”.
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Top Ipod - Live Alone - Franz Ferdinand (muito pertinente)
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