terça-feira, 30 de outubro de 2007

Ela flutua

Saudade, sempre. Esse é o sentimento mais constante e eu já me acostumei. Mas do que eu sinto mais saudade é dela. Aquele sorriso dela, a antiga confusão dela, a ausência estranha que ela tinha de si mesma. E tinha aquela mania que ela tinha de beber e chorar. Ela nem tem bebido mais e suas lágrimas estão muito estranhas. Quase não saem. E ela tinha aquela risada que saia tão cheia de razão, tão plena de si, tão digna de ser compartilhada que disfarçava a antiga dor. Que hoje eu nem sei se realmente era uma dor. Há momentos em que eu sinto mais falta dela do que deveria. Outros momentos em que eu até me esqueço do que ela foi. Na maioria das vezes não sei dizer se ela realmente existiu ou como ela existiu. Hoje eu estou mais jovem do que ela. Ou mais velha do que ela. Mas ainda flutuo. E daqui de cima a vista é turva. Nebulosa como qualquer idiossincrasia que ela tinha. Não estou certa se quero ter os mesmos motivos pra sorrir ou pra chorar que ela tinha. Mas ainda não é a hora de saber ou de falar. E flutuar não é tão incômodo assim... Mas eu devo flutuar sozinha.

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Top Ipod: To Youth - Flogging Molly

2 comentários:

Para Nóia disse...

Eu também tenho saudades dela.....

[balbina conspira] disse...

Pouquíssimas pessoas a conheceram o suficiente pra ter saudades dela. Não me venha com pretensões, seja lá quem for.

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